quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tristessa


Jack Kerouac é um viagra no feeling do leitor. Não é a toa que existem tantos malucos por ai, que "o seguiram" em On The Road - um desses malucos não é ninguém menos que Bob Dylan.
Em Tristessa, isso fica ainda mais evidente, por mais que a leitura exija um pouco mais de entendimento no Budismo. Ele deixa claro o que pensa, sempre nas entrelinhas.
As vezes um tanto "Tarantino", os diálogos de Kerouac são magníficos em Tristessa. Tanto nos diálogos do personagem como no dele com o livrinho em que escrevia. As vezes você pode imaginá-lo debruçado em algum lugar discutindo teorias completamente loucas com um pedaço de papel - a caneta é o porta voz, o tradutor de Kerouac.
Além de ser baseado numa história "quase real", em que Jack se apaixona por uma índia mexicana, viciada em morfina, que trabalha como prostituta na Cidade do México, Tristessa é um bom exemplo da prosa poética do autor. Dos detalhes do humor de Tristessa, às barraquinhas de temperos e comidas mexicanas, os ricos detalhes da prosa ficando cada vez mais real e palpável a cada frase completada. O narrador entra dentro de cada personagem, mas nunca os deixando fazer-lhe a cabeça de alguma forma, descrevendo com compaixão cada sofrimento e movimento de sua amada e dos estranhos a sua volta.
Um romance triste, melancólico e intenso. Nada mais Kerouac.
"Capa de Tristessa em versão norte-americana."

3 comentários:

Aline Dias disse...

Adorei essa coisa do viagra no feeling do leitor.

Helena de Tróia disse...

Hahahaha!
Obigada xuxu!

Regis Falcão disse...

Kerouac é o precursor de toda uma geração de Vagabundos Iluminados. O movimento Hipster seria um tanto menos poético e ousado sem as letras dele.
A narrativa de suas paixões por mulheres problemáticas é uma característica forte dele. E agora fiquei em dúvida sobre quem seria a mais perdida delas.
Huum. deu água na boca da imaginção. Adicionado à lista de próximas leituras.
;)